O
Encontro dos Escudos deste ano está movimentado, com os líderes de todos os
reinos independentes da Terra dos Vales, ao contrário de outros anos quando muitos
enviavam seus representantes, eram tantos os assuntos, que iniciaram reuniões
políticas três dias antes do dia do encontro, uma vez que um dia apenas não
daria para discutir tantos assuntos. O grande motivo deste alvoroço é o
surgimento de uma carta por conta do conselho regente do Vale da Cicatriz que
anunciou que a filha ilegítima de Lashan Aumensair foi até o vale reclamar seu
direito ao trono. Ela irá se apresentar no penúltimo dia antes do encontro,
juntamente com o conselho regente, que acolheu sua reclamação mediante as
provas apresentadas: o testamento de Lashan, que foi encontrado um mês após a
praga, e que falava de sua vontade, e inclusive o nome da filha, e o bracelete
com o símbolo dos Aumensair utilizado pela moça. Não deram maiores detalhes
sobre quem seja o que causou maior aguçamento dos líderes sobre quem possa ser.
É
sabido a muito que os conselheiros do Vale da Cicatriz rezavam para que
chegasse logo o Encontro dos Escudos de 1372, e que o Conselho dos Vales
indicasse o novo regente do vale, desta forma tirando o peso das despesas do
reino de suas costas, principalmente após a praga que assolou a região em 1370
durante a invasão sembiana. Khelvos Dermmen, líder do atual conselho do Vale da
Cicatriz se encarregou de dar a notícia ao Conselho dos Vales, do qual faz
parte como representante de seu provisório reino. Trechos do diário de guerra
de Lashan achado no Vale da Batalha logo após sua derrota citavam a tal filha
perdida, que ele descrevia como brava guerreira, e mostrava que mesmo de longe
ela a acompanhava, e tinha muita admiração por ela. Dizia ter vendido ela e a
mãe a um mercador de escravo Zhentarin para não atrapalhar seus planos de
conquista, mas que pretendia reaver a filha, se ela merecesse após a conquista.
O merecimento citado, claramente, era sua sobrevivência nas mãos dos Zhents, e
ao que parece ela conseguiu, e mais ainda do que Lashan esperava talvez este o
motivo de tanto orgulho nas suas palavras ao descrever como sua filha bastarda
havia se tornado forte em batalha e eficiente nas suas funções.
A
grande preocupação do conselho era que espécie de líder havia reclamado o trono
do Vale da Cicatriz, uma vez que tal diário revelava uma mulher criada entre os
Zhentarins, que já dominaram a região, e que pela demonstração de satisfação
nas palavras de Lashan, a mesma devia ter ser tornado um deles. A confirmação
de que se tratava de uma agente Zhentarim a herdeira de Lashan por parte de
Khelvos ao conselho causou certo alvoroço, logo contido por Mourngrym Amcathra
do Vale das Sombras e Randal Morn do Vale da Adaga que avisam que vão ouvir a
mulher e sua proposta para espanto de todos os outros membros. Estava clara
para Mourgrym e Randal que aquela poderia ser uma manobra Zhent para desviar os
olhares de todos os outros vales para o Vale da Cicatriz, enquanto eles
maquinavam alguma forma de invasão, mas por outro lado, aquela também poderia
ser uma forma de controlar as ações dos zhents nos vales, uma vez que teriam de
se preocupar com a reestruturação daquela nação, e com as constantes invasões
de Sêmbia em seu território, e os zhents não deixariam as invasões saírem
barato. Dependendo de quem fosse à herdeira, isso poderia inclusive causar um
racha dentro do Forte Zhentil, dado as várias facções sobre o comando de
Manshoon e Fzoul Chembryl. Então, decidiram no primeiro dia do encontro, tomar
este assunto estratégico como pauta, se valendo ainda da ausência de tal
herdeira.
No
segundo dia do encontro, para surpresa de todos, um grupo de elfos liderados
por um mago élfico chamado Auran Tadhillar, foi ao conselho se apresentar como
representante de Cormanthor. Disse ter recém chegado de Evermeet a mando de seu
capitão, Ilsevele Miritar, para acompanhar o avanço dos drows na região, bem
como o domínio de um Yugoloth que haveria refugiado os Fey’ri fugitivos da
batalha em Evermeet no início do ano. Trazia uma carta com o selo real de
Cormanthor escrita por Miritar, a quem os reis de Evereska e Evermeet haviam
deixado como responsável pelo local. O conselho acolheu calorosamente o representante
élfico e sua corte, os pôs a parte do discutido no dia anterior, e da decisão
de não intervir os outros vales conclamando a herdeira de Lashan como regente
do Vale da Cicatriz, e observando seus atos de longe, sem interferências,
inclusive financeiras. Não prestaria apoio financeiro os outros vales para
reconstrução do Vale da Cicatriz. Ela também só poderia ser coroada rainha, se
a coroa dos Aumensair fosse encontrada, desta forma, eles poderiam controlar a
sucessão do regente no trono em caso a herdeira viesse a falecer afinal a mesma
poderia se casar com um comandante zhent, o que traria certo desconforto ao
conselho. Como a coroa dos Aumensair foi perdida junto com o rastro de Lashan,
não acreditavam os membros do conselho que a coroação fosse possível. O segundo
dia da reunião seguiu falando das estratégias de comércio dos vales, controle
das ações zhentarins, e apoio a nova comunidade élfica de Cormanthor no combate
aos drows.
Chega
então o dia que antecede o encontro, era o penúltimo dia antes do Encontro dos
Escudos, o dia acordado para a apresentação da tal mulher que iria assumir a
regência do Vale da Cicatriz, a bastarda, herdeira do trono dos Aumensair. Ela
não demoraria a aparecer então os preparativos daquele dia começaram logo aos
primeiros raios do sol, e os líderes resolveram discutir os assuntos pendentes
antes da apresentação. Pouco tempo após o início da reunião dos líderes dos
vales, o batedor das tropas élficas vem até ao local da reunião e avisa que a
caravana do Vale da Cicatriz se aproxima liderada por uma mulher de armadura e
elmo. Os militares se agitam e os líderes se preparam para recepção e alguns
minutos depois começam a avistar a caravana. A frente da caravana, conforme
relatado pelo batedor elfo, uma mulher de armadura de batalha completa, com
rosto coberto por um elmo, montada em um cavalo branco enorme, com dois porta-estandartes
ao lado, um com o brasão dos Aumensair, outro com o a bandeira do Vale da
Cicatriz, e os guardas com uniformes da guarda real do Vale da Cicatriz, o
mesmo utilizado à época do governo de Lashan. A mulher desce de sua montaria e
é recepcionada pelo mestre de cerimônia do encontro deste quadrênio, Audrus
Mauriak, conselheiro do governo do Vale da Batalha, local do encontro, e faz
reverências a ela. Ela então retira seu elmo, e para espanto de todos a mulher
de pele branca é ninguém menos que Scyllua Darkhope, castelã do Forte Zhentil e
comandante de muitas tropas de lá, facilmente reconhecida por seu cabelo
moicano e sua cicatriz acima do olho esquerdo que traz como lembrança de sua
vitória sobre Lord Orgauth. Alguns soldados de vales constantemente atacados
pelos Zhentarins sacam suas armas, o mesmo faz a tropa da caravana do Vale da
Cicatriz, e por um momento o clima de tensão nos olhos e nas mãos dos soldados
é visível.
Continua...