sexta-feira, 2 de março de 2012

CRÔNICAS DOS VALES - TOMO I - 1372 – O RETORNO DOS AUMENSAIR - PARTE 1

CAPÍTULO I – A BASTARDA


O Encontro dos Escudos deste ano está movimentado, com os líderes de todos os reinos independentes da Terra dos Vales, ao contrário de outros anos quando muitos enviavam seus representantes, eram tantos os assuntos, que iniciaram reuniões políticas três dias antes do dia do encontro, uma vez que um dia apenas não daria para discutir tantos assuntos. O grande motivo deste alvoroço é o surgimento de uma carta por conta do conselho regente do Vale da Cicatriz que anunciou que a filha ilegítima de Lashan Aumensair foi até o vale reclamar seu direito ao trono. Ela irá se apresentar no penúltimo dia antes do encontro, juntamente com o conselho regente, que acolheu sua reclamação mediante as provas apresentadas: o testamento de Lashan, que foi encontrado um mês após a praga, e que falava de sua vontade, e inclusive o nome da filha, e o bracelete com o símbolo dos Aumensair utilizado pela moça. Não deram maiores detalhes sobre quem seja o que causou maior aguçamento dos líderes sobre quem possa ser.

É sabido a muito que os conselheiros do Vale da Cicatriz rezavam para que chegasse logo o Encontro dos Escudos de 1372, e que o Conselho dos Vales indicasse o novo regente do vale, desta forma tirando o peso das despesas do reino de suas costas, principalmente após a praga que assolou a região em 1370 durante a invasão sembiana. Khelvos Dermmen, líder do atual conselho do Vale da Cicatriz se encarregou de dar a notícia ao Conselho dos Vales, do qual faz parte como representante de seu provisório reino. Trechos do diário de guerra de Lashan achado no Vale da Batalha logo após sua derrota citavam a tal filha perdida, que ele descrevia como brava guerreira, e mostrava que mesmo de longe ela a acompanhava, e tinha muita admiração por ela. Dizia ter vendido ela e a mãe a um mercador de escravo Zhentarin para não atrapalhar seus planos de conquista, mas que pretendia reaver a filha, se ela merecesse após a conquista. O merecimento citado, claramente, era sua sobrevivência nas mãos dos Zhents, e ao que parece ela conseguiu, e mais ainda do que Lashan esperava talvez este o motivo de tanto orgulho nas suas palavras ao descrever como sua filha bastarda havia se tornado forte em batalha e eficiente nas suas funções.

A grande preocupação do conselho era que espécie de líder havia reclamado o trono do Vale da Cicatriz, uma vez que tal diário revelava uma mulher criada entre os Zhentarins, que já dominaram a região, e que pela demonstração de satisfação nas palavras de Lashan, a mesma devia ter ser tornado um deles. A confirmação de que se tratava de uma agente Zhentarim a herdeira de Lashan por parte de Khelvos ao conselho causou certo alvoroço, logo contido por Mourngrym Amcathra do Vale das Sombras e Randal Morn do Vale da Adaga que avisam que vão ouvir a mulher e sua proposta para espanto de todos os outros membros. Estava clara para Mourgrym e Randal que aquela poderia ser uma manobra Zhent para desviar os olhares de todos os outros vales para o Vale da Cicatriz, enquanto eles maquinavam alguma forma de invasão, mas por outro lado, aquela também poderia ser uma forma de controlar as ações dos zhents nos vales, uma vez que teriam de se preocupar com a reestruturação daquela nação, e com as constantes invasões de Sêmbia em seu território, e os zhents não deixariam as invasões saírem barato. Dependendo de quem fosse à herdeira, isso poderia inclusive causar um racha dentro do Forte Zhentil, dado as várias facções sobre o comando de Manshoon e Fzoul Chembryl. Então, decidiram no primeiro dia do encontro, tomar este assunto estratégico como pauta, se valendo ainda da ausência de tal herdeira.

No segundo dia do encontro, para surpresa de todos, um grupo de elfos liderados por um mago élfico chamado Auran Tadhillar, foi ao conselho se apresentar como representante de Cormanthor. Disse ter recém chegado de Evermeet a mando de seu capitão, Ilsevele Miritar, para acompanhar o avanço dos drows na região, bem como o domínio de um Yugoloth que haveria refugiado os Fey’ri fugitivos da batalha em Evermeet no início do ano. Trazia uma carta com o selo real de Cormanthor escrita por Miritar, a quem os reis de Evereska e Evermeet haviam deixado como responsável pelo local. O conselho acolheu calorosamente o representante élfico e sua corte, os pôs a parte do discutido no dia anterior, e da decisão de não intervir os outros vales conclamando a herdeira de Lashan como regente do Vale da Cicatriz, e observando seus atos de longe, sem interferências, inclusive financeiras. Não prestaria apoio financeiro os outros vales para reconstrução do Vale da Cicatriz. Ela também só poderia ser coroada rainha, se a coroa dos Aumensair fosse encontrada, desta forma, eles poderiam controlar a sucessão do regente no trono em caso a herdeira viesse a falecer afinal a mesma poderia se casar com um comandante zhent, o que traria certo desconforto ao conselho. Como a coroa dos Aumensair foi perdida junto com o rastro de Lashan, não acreditavam os membros do conselho que a coroação fosse possível. O segundo dia da reunião seguiu falando das estratégias de comércio dos vales, controle das ações zhentarins, e apoio a nova comunidade élfica de Cormanthor no combate aos drows.

Chega então o dia que antecede o encontro, era o penúltimo dia antes do Encontro dos Escudos, o dia acordado para a apresentação da tal mulher que iria assumir a regência do Vale da Cicatriz, a bastarda, herdeira do trono dos Aumensair. Ela não demoraria a aparecer então os preparativos daquele dia começaram logo aos primeiros raios do sol, e os líderes resolveram discutir os assuntos pendentes antes da apresentação. Pouco tempo após o início da reunião dos líderes dos vales, o batedor das tropas élficas vem até ao local da reunião e avisa que a caravana do Vale da Cicatriz se aproxima liderada por uma mulher de armadura e elmo. Os militares se agitam e os líderes se preparam para recepção e alguns minutos depois começam a avistar a caravana. A frente da caravana, conforme relatado pelo batedor elfo, uma mulher de armadura de batalha completa, com rosto coberto por um elmo, montada em um cavalo branco enorme, com dois porta-estandartes ao lado, um com o brasão dos Aumensair, outro com o a bandeira do Vale da Cicatriz, e os guardas com uniformes da guarda real do Vale da Cicatriz, o mesmo utilizado à época do governo de Lashan. A mulher desce de sua montaria e é recepcionada pelo mestre de cerimônia do encontro deste quadrênio, Audrus Mauriak, conselheiro do governo do Vale da Batalha, local do encontro, e faz reverências a ela. Ela então retira seu elmo, e para espanto de todos a mulher de pele branca é ninguém menos que Scyllua Darkhope, castelã do Forte Zhentil e comandante de muitas tropas de lá, facilmente reconhecida por seu cabelo moicano e sua cicatriz acima do olho esquerdo que traz como lembrança de sua vitória sobre Lord Orgauth. Alguns soldados de vales constantemente atacados pelos Zhentarins sacam suas armas, o mesmo faz a tropa da caravana do Vale da Cicatriz, e por um momento o clima de tensão nos olhos e nas mãos dos soldados é visível.
 
           Randal Morn pede que seus homens embainhem suas armas e pergunta a Khelvos se aquilo é algum tipo de brincadeira, porém, antes que ele possa responder Scyllua puxa de seu manto um pergaminho e pede que o mestre de cerimônias que o leia em voz alta para todos. Para pasmo geral, o pergaminho é o tal testamento de Lashan Aumensair que foi apresentado ao conselho regente do Vale da Cicatriz como prova, e o mesmo indica que sua filha Scyllua Aumensair, cujo prova de sua existência é o bracelete que a mesma porta, será sua sucessora no trono de sua nação. Um zunido gerado pelos sussurros toma conta da multidão, e Scyllua em tom brando pergunta aos senhores conselheiros se podem ir para o local de reunião escolhido. Mourgrym e Randal, representante dos vales mais castigados pelos zhents, muito liderados por Scyllua, mesmo com ódio no olhar consentem sua ida ao local de reunião somente com um aceno de suas cabeças, pois não podem contrariar o testamento do legítimo rei do Vale da Cicatriz, porém, o mestre de cerimônia diz que o bracelete e o testamento serão analisados para comprovar sua autenticidade, e que durante este tempo, até o final do Encontro dos Escudos, Scyllua não deve sair do Vale da Batalha como mostra de boa fé, o que ela acorda na hora.

Continua...

quinta-feira, 1 de março de 2012

GUERRA DOS VALES - AMBIENTAÇÃO - A RELIGIÃO EM FORGOTTEN REALMS

Olá novamente!

Está postagem traz algo que funciona como um dos pilares do cenário: os deuses venerados no plano de Toril. Muitos deuses, durante toda existência do plano morreram, e outros surgiram em seus lugares, como por exemplo, a deusa da magia Mystra, que já está na sua terceira forma.
Apesar de incontáveis deuses coexistirem em Toril, a grande maioria tem relações nada afetuosas, e muitos deles não são deuses nativos do plano. Muitos destes deuses são divindades alienígenas oriundas de outras dimensões de existência, como os deuses do panteão do reino de Mulhorand, que são os mesmos reverenciados pelos antigos egípcios, e vieram para Toril por influência de Lord AO, o supremo criador, que permitiu sua vinda para atender as orações de seu povo que havia sido trazido para o plano através de portais pelo Ilmaskaris e escravizados. Também os deuses das várias raças (elfos, anões, orcs, etc.), que em sua maioria existem simultaneamente em Toril e em outros mundos habitados por essas mesmas raças, embora estas não sejam raças nativas em Toril. Outros deuses são simplesmente mortais que conseguiram angariar poder e devotos suficientes para assumir efetivamente o status de divindade e tiveram seu poder legitimado por Lord AO.

LORD AO

Lord AO é apenas uma lenda em os humanos, ele não dá poderes a ninguém, embora seja venerado em alguns locais de Faerûn, mas trata-se do supremo criador do universo onde habitam os deuses e seres de Toril, e foi quem criou os deuses primordiais, e as raças do criador, do qual os humanos são a quinta e última espécie. Ele apareceu somente no Tempo das Perturbações, quando os deuses Bane, Myrkul e Bhaal roubaram as tábuas do destino, achando que poderiam se tornar mais poderosos que AO, porém, o fizeram em segredo, despertando a fúria do criador, que mandou todos os deuses, com exceção de Helm – O deus guardião, para Toril, sem seus poderes divinos na forma de Avatar, e muitos deuses morreram neste processo, bem como novos surgiram. No fim, AO quebrou as tábuas recuperadas, dizendo aos deuses que aquelas tábuas apenas previam o destino dos seres, não dos deuses, e incumbiu a missão de guardar o destino destes aos deuses a partir daquele momento. Da mesma forma, que eles não mais desprezariam os seres de Toril, e que seu poder seria agregado ao número de seguidores, quanto mais seguidores, maior o seu poder.

AS DIVINDADES

Embora Forgotten Realms tenha uma gama enorme de deuses, alguns são mais cultuados que outros, de forma que isso torna certos deuses mais populares. Segue abaixo, a lista dos deuses mais conhecidos de Faerûn:

PANTEÃO HUMANO
Amazona Vermelha (estratégia, planejamento, nobreza)
Azuth (usuários de magia arcana, magistrado arcano)
Bane (tirania, medo, ódio, discórdia)
Chauntea (agricultura, fazendeiros, verão)
Cyric (intriga, assassinato, mentiras, traição)
Gond (artífices, inventores, forja)
Helm (guarda, proteção)
Ilmater (sofrimento, martírio, perseverança)
Kelemvor (morte, mortos)
Kossuth (fogo)
Lathander (amanhecer, atletismo, renovação, primavera, renascimento)
Malar (feras, caçadores, selvageria, licantropos Maus)
Mask (ladrões, sombras)
Mielikki (florestas, natureza, outono)
Mystra (magia, feitiços, a Trama)
Oghma (conhecimento, inspiração, arte)
Selûne (lua, estrelas, licantropos Bons e Neutros)
Silvanus (natureza bruta)
Shar (escuridão, noite, segredos, cavernas, o Subterrâneo)
Sune (beleza, amor, paixão)
Talos (tempestade, destruição, desastres naturais)
Tempus (guerra, batalhas)
Torm (dever, lealdade, obediência, paladinos)
Tymora (sorte)
Tyr (justiça)
Umberlee (mar, tormentas oceânicas)
Uthgar (herói ancestral dos bárbaros Uthgardt)
Waukeen (comércio, dinheiro)

PANTEÃO ÉLFICO
Corellon Larethian (divindade líder do Seldarine)
Sehanine Moonbow (divindade élfica da lua)
Shevarash – (divindade élfica da vingança, inimigo dos drows)

PANTEÃO DROW
Lolth (divindade principal do panteão drow)
Eilistraee (divindade drow da canção e da beleza)
Vhaerun (divindade drow dos assassinos, dos drows machos)

PANTEÃO ANÃO
Moradin (divindade líder do panteão anão)
Clangeddin Silverbeard – (divindade da luta e da honra)

PANTEÃO HALFILING
Yondalla – (divindade criadora dos halflings)

PANTEÃO GNOMO
Garl Glittergold – (divindade patrono dos gnomos)

PANTEÃO ORC
Gruumsh – (Divindade chefe dos orcs)

PODERES MORTOS AINDA CULTUADOS
Bhaal (assassinatos, matança, traição)
Leiria (segredos, mistérios)
Moander (ódio, podridão, corrupção)
Myrkul (mortos, morte, mortos-vivos)

OS DEUSES DAS TERRAS CENTRAIS

Embora exista uma gama de deuses em Forgotten Realms, nem todos eles possuem templos nas Terras Centrais. Por este motivo, é preciso descrever que deuses são cultuados em cada uma das regiões principais:

VALE DAS SOMBRAS (Shadowdale) – Chauntea, Lathander, Mielliki, Silvanus, Tymora.

VALE DA CICATRIZ (Scardale) – Azuth, Bane, Chauntea, Lathander, Malar, Mask, Mielliki, Mysra, Oghma, Silvanus, Sune, Tempus, Tymora, Tyr.

VALE DA BATALHA (Battledale) – Chauntea, Corellon Larethian, Gond, Silvanus, Tempus.

CORMANTHOR – Corellon Larethian, Eillistraee, Mielliki, Mystra, Silvanus, Vhaerun.

CORMYR – Chauntea, Kelemvor, Lathander, Liira, Malar, Oghma, Mielliki, Mystra, Selune, Silvanus, Tempus, Tymora, Waukeen.